VAMOS FALAR DE RACISMO NA MODA?

Num mercado de predominância branca, diga-se de passagem, as grandes Top’s mundiais, geralmente padronizadas numa beleza Européia, o assunto “racismo” há tempos vem sendo discutido, desde muitos tempos e gerações dentro da cena fashion.
Muitos ainda acreditam ser um assunto ultrapassado dentro da moda, que sempre pregou diversidade, mas quando o tema é levantado por modelos negros, a história é realmente inversa ao que muitos que vivem fora dessa triste realidade pensam.
A dificuldade começa logo no casting, o racismo velado e disfarçado de “fora do perfil para aquele trabalho” não cola mais! É triste quando assistimos um desfile de uma marca que admiramos, e no meio de 20 modelos, quase todos são brancos, ou quando existe 1 ou 2 modelos negros, a impressão que temos é: “Olha aí…. um modelo negro, viram? Não somos racistas! ( O politicamente correto )

VAMOS FALAR SOBRE RACISMO?

Perguntas básicas e fáceis de responder, permeiam em nossa mente inconformada, tais como:
Digam o nome de uma Top Mundial Negra Brasileira? Com a mesma margem de cachê e contratos de uma Top Model Branca?
No universo masculino, qual Top Negro brasileiro, possui um contrato milionário com alguma grife?
Quantas vezes você entrou em um grande shopping, e viu um outdoor gigantesco na parte externa do shopping, de uma campanha mundial tendo um negro como modelo principal?

Durante décadas, a verdade sempre foi abafada, disfarçada com a desculpa de “fora do perfil” mas nós sabemos o que realmente significa aquele “não” naquele casting quando muitas vezes a modelo sabe da sua capacidade para aquele trabalho, o preconceito é obvio, notório, porem velado!

Atualmente no Brasil, o tema RACISMO, volta a ser discutido na moda, com uma diferença, sinto essa geração destemida, porém cansada, exausta em ter um esforço triplicado para se destacar dentro do mercado, sabemos que as portas ainda não se abriram quando o assunto é modelos negros em destaque.
O cansaço é tanto, que a discussão virou denúncia, um alto e sonoro grito de “Chega!”

Até quando veremos a diversidade da moda ser apenas pregada, e não vivida na sua realidade? Até quando ouviremos que temos Naomi Campbell ( apenas) como referência representativa do negro na moda, como um “Prêmio de consolação?”
Até quando não veremos um modelo negro escovando os dentes num comercial de creme dental?
Até quando a moda insistirá em negar suas preferências, camufladas, maquiadas e escondidas atrás de um discurso desconexo, e ultrapassado, disfarçado de inclusão, uma inclusão EXCLUSIVA E PREDOMINANTE, que ainda segue incansavelmente, padronizando o mercado até hoje!
Eu seria leviano se afirmasse que não existem modelos negros em campanha de alguma marca famosa, por exemplo Adidas, SIM existe, e tais marcas devem ser reverenciadas, mas não estamos nem perto de uma igualdade em fluxo de trabalhos, e contratos milionários dos modelos brancos, sendo assim, nossa luta perdura e resiste bravamente.
Não estamos onde gostaríamos de estar, porém já saímos de onde estávamos!”